O PORQUê DA ESPIRITUALIDADE DO CORPO

Nº 232 –  BOLETIM DOMINICAL – 08 DE MARÇO DE 2020

O PORQUê DA ESPIRITUALIDADE DO CORPO: ( I Cor. 6:19,20)

Nem o hedonismo e muito menos o masoquismo cristão ou espiritual. Não se vislumbra aqui o materialismo histórico de Marx e não se advoga a filosofia da vida em Nietzsche. Mas, o que nos ensina as Escrituras desde o princípio, pois, a doutrina biblica da criação oferece consistente base para a compreensão de que o corpo é bom, sendo este dotado de espiritualidade (Gn. 2:7), e Deus o ebençou. Em ato contínuo, o Criador asseverou:”…e eis que era muito bom”. (Gn.2:31). Bem ao contrário do dualismo platônico, com o vil desprezo ao corpo, como sendo este, a matéria má, o qual, aprisiona a alma. Por que, geralmente, valorizamos mais a alma do que o corpo? Será que o Evangelho por aí  ensinado é aquele contaminado pelo romanismo medieval? Não há motivo real para continuar no sofrivel xarope de uma caricatura teológica que deforma a  antologia dualística  por influência do pensamento grego. O cristão não pode e nem deve fazer a  separação entre corpo e alma. Devemos, antes, considerar a espiritualidade do corpo. Diz Rubem Alves: “Pensamos encontrar Deus onde o corpo termina: e o fizemos sofrer e o transformamos em besta de carga, em cumpridor de ordens, em máquina para o trabalho, em inimigo a ser silenciado, e assim o perseguimos, ao ponto do elogio da morte como caminho para Deus, como se Deus preferisse o cheiro dos sepulcros às delícias do Paraíso.” Ainda na voz H.W. Hoehener: “o homem é mais do que um mero corpo; é físico e material; é corpo e alma e /ou espírito…as duas precisam da redenção e vivem eternamente. O homem não é apenas corpo ou apenas alma/espírito, mas a combinação deles.” A Palavra de Deus nos conclama a glorificar a Deus no nosso corpo (Rm. 12:1; I Cor. 6:19,20) E isso pode e deve-se dar através do “renovar da mente” do culto racional”, do trabalho, do descanso e do lazer. Este perfeito equilíbrio faz bem ao corpo, à mente e à alma. A glorificação a Deus atraves do corpo não é somente o exercício daquelas atividades de caracter religioso que costumam julgar mais “espirituais” (Cl. 3:17). O nosso corpo não foi criado para viver em função de um sistema perverso opressão/ exploração (produção/consumo) seja na vida secular ou no religioso. Somos desafiados a buscar e a defender a expressão de uma espiritualidade integral por meio do corpo, no equilíbrio entre trabalho, descanso e lazer. Esse mesmo corpo é morada do Espírito Santo. Diz Paulo: “ A ressurreição é a espetacular vitória do corpo sobre a morte. A ressurreição é a garantia da plenitude da espiritualidade inerente ao corpo, e é definitiva.  Calvino, ao refutar duramente a Osiandro, diz: ”as almas não são liberadas dos ergástulos dos corpos, ao contrário, antes, neles se manifestam… além disso, gostaria de saber dele, (Osiandro), como Cristo representa ao Espírito Santo na carne de que se revestiu, e com que marcas ou delineamentos Lhe exprime a semelhança”, etc (Gn.1:26). “Afinal, que o ser humano consta de alma e corpo, deve estar além de controvérsia.” As Institutas J. Calvino Vol. I, Cap. XV, 1,2,3. Rv. Mario Ramos