O DEUS QUE INTERVEM

Nº 248 –  BOLETIM DOMINICAL – 28 DE JUNHO DE 2020

O DEUS QUE INTERVEM – Habac. 1:12 a 2:1

Em tempos de crise, Deus sempre levanta e usa profetas. Deus fala no meio da crise. Deus revela os seus verdadeiros eleitos (as) no meio da crise. Orienta os seus escolhidos. Não os deixa confusos. Deus conhece o que está para além da turbulência. Ele ordena as circunstâncias. O nosso Deus não é passivo. Ele é o Ator e o Autor da História. Seu povo não é refratário, entretanto, possui a fé pró-ativa (Hb.10:38; Rm.1:16-17). A teodiceia aqui esculpida é assentada na “Confissão de Fé” dos fieis. (2:4) “… o justo viverá pela sua fé”. A teoria de R. Bultmann, da demitização, não se sustenta à fé audaz num Deus que intervem. O Deus Providente rege a crise e intervem com justiça, bondade e graça contra o mal. Aqui nos perguntamos: Como pode o Deus Eterno usar instrumentos como nós? Habacuque tremeu na base ao confrontar-se com o seu Deus no chamado profético – 606 a.C. O profeta foi comissionado a anunciar a intenção divina de punir Judá com a vindoura deportação para Babilônia. O rei da época era Jeoaquim. Um rei  fantoche dos babilônicos. Ele é descrito por outro profeta, Jeremias, assim:” os teus olhos e o teu coração não atentam senão para a tua ganância, e para derramar sangue inocentes, e para levar a efeito, a intriga, o litígio, a contenda, a parcialidade das leis, a difamação, a violência e a extorsão” (Jr. 22:17; cf.Hc. 1:2-4; II Re.23:34-24:5). A pergunta de Habacuque foram duas: 1) Por que Deus permitia impune o mal crescente contra o povo (Hc.1: 2-4; e, 2) Por que um Deus santo justificava as forças tenebrosas mais poderosa que do Seu povo? (1:12-2:1). Eis a crise: grande crise espiritual onde a desinformação dava sustentação a religião; crise moral e social. Há uma relação com o Brasil hoje, ao acrescer, a crise sanitária, política e econômica. As lições entre tantas são: Deus intervem sempre; o povo deve questionar para não se conformar; não se conformar para transformar; transformar para experimentar a boa, perfeita e agradável vontade de Deus (Rm. 12:2). Para Bonhoeffer, o “cristianismo não pode ser mais nivelado a uma religião “tapa-buracos”, mas sim, uma religião integral, que atinja todo o homem em todas as suas manifestações”. Todo o Evangelho, para o homem todo. Habacuque, questiona não o povo, mas a Deus. O profeta estar solilóquio entre ele mesmo e Deus Todo-Poderoso. Ele procurava respostas para a suas queixas (2:1). Ele se dispõe a ficar na torre de vigília, a colocar-se sobre a fortaleza, a vigiar para ver o que Deus lhe diria em resposta as suas queixas. A igreja que insiste a bater em corda de violão e a contarolar, perdeu a visão, a oração e a profecia. Deixou de crer no Deus que intervem e espera apenas nas intervenções do homem. Habacuque se dispõe a modificar a situação agonizante a partir das orientações de Deus. O Senhor ordena o profeta “escrever a visão, com letras  grandes, em tábuas, para que possa ler (outdoor-mídia) até quem passa correndo.” (2:2). O nosso Deus age e intervem no processo histórico. Usa homens e mulheres, aos nossos olhos, inadequados, falhos e imperfeitos. Mas, Deus nos usa e intervem.  Rev. Mario