O CALVINISMO: EIS A HISTÓRIA

O CALVINISMO: EIS A HISTÓRIA

 

Ficha Técnica:

calvinismo

João Calvino – (10-07-1509 a 27-05-1564);

Teólogo, Advogado, Teórico e Pastor

 

Casado: Esposa Idelette de Bure

Filhos: tiveram três e morreram em tenra idade

 

Reformador: Movimento Protestante “o Príncipe “ dos teólogos

Obra Principal: IRC- As Institutas do Tratado da Religião

 

Reverendo, Governador e Líder em Genebra

 

Patrono do Presbiterianismo-Calvinista

 

Relação com o Brasil: Envio de Franceses Presbiterianos (huguenotes) Rio de Janeiro em 1557, a Chamada França Antártica; 1ª tentativa de Igreja e missões;

 

 

Denominações Calvinistas:

 

O Calvinismo é a doutrina de diversas denominações protestante, dentre elas destacamos:

– Igreja Reformada Suíça – Religião oficial dos Cantões da Suíça;

– Igreja Protestante Evangélica Holandesa- Religião ofcial dos Paises Baixos;

– Igreja Reformada Francesa – A Igreja dos Huguenotes;

– Igreja Congregacional – Nova Inglaterra e nos Estados Unidos;

– Igreja Reformada Húngara;

– Igreja Presbiteriana da Escócia;

– Igreja Presbiteriana na Dinamarca;

– Igreja Presbiteriana na Irlanda;

– Igreja Presbiteriana do Brasil;

– Igreja Presbiteriana Independente do Brasil;

-Igreja Presbiteriana Unida do Brasil;

– Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil;

– União das Igrejas Congregacionais do Brasil;

– Igreja Presbiteriana Renovada;

– Igreja Congregação Cristã da Itália e no  Brasil;

 

 

O QUE É O CALVINISMO?

 

O Calvinismo recebeu o seu nome de João Calvino, que exerceu uma influência internacional no desenvolvimento da doutrina da Reforma Protestante, á qual se dedicou com a idade de 25 anos, quando começou a escrever os “Institutos da Religião Cristã” em 1534 e publicado em 1536. O Calvinista é pois no extremo um profundo conhecedor da Bíblia, um moralista, um puritano, um rigor ético que pondera todas as suas relações individual com a moral cristã. O Calvinismo é também o resultado de uma evolução independente das idéias protestantes  no espaço europeu de língua francesa, surgindo sob a influência do exemplo que na Alemanha a figura de Martinho Lutero tinha exercido. A expressão “Calvinismo” foi aparentemente pela primeira vez em 1552, numa carta do Pastor Luterano Joachim Westphal, de Hamburgo.

 

 

INTERPRETAÇÃO SOCIOLÓGICA

 

Sociólogos como Max Beber e Ernest Gellner analisaram a teoria e as conseqüências práticas desta doutrina e chegaram à conclusões paradoxais. Em parte explicam o precoce desenvolvimento do capitalismo nos países onde o Calvinismo foi popular (Holanda, Escócia, França e EUA, sobretudo). Sendo um bom cristão, trabalhando, cuidando da família e sendo fiel a Deus, seguindo sempre os melhores princípios éticos, o Calvinista prova a si mesmo que é uma pessoa abençoada, pelo seu sucesso como cristão. Não é a sua ação mais a ação de Deus, mostrando-lhe que ele é um eleito e que está no bom  caminho da providência divina.

 

ABSOLUTA DEPENDÊNCIA DE DEUS

 

O sistema teológico e as práticas da Igreja, da família ou na vida política, todas elas algo ambiguamente chamadas de “Calvinismo”, são o resultado de uma consciência religiosa fundamental centrada na “soberania de Deus”.

O Calvinismo pressupõe que o poder de Deus tem um alcance total de atividade – e resulta da convicção de que Deus trabalha em todos os domínios da existência, incluindo o espiritual, físico, intelectual, quer seja secular ou sagrado, público ou privado, no céu ou na terra. De acordo com este ponto de vista, qualquer ocorrência é o resultado do plano de Deus, que é o Criador, Preservador, e Governador desde todas as coisas, sem exceção, que é a causa última de tudo. Esta atitude de total dependência de Deus  está associada com quaisquer atos temporários de piedade, por exemplo a oração. Pelo contrário, ela está tão associada ao trabalho de cavar a terra como o de ir ao culto. Para o cristão calvinista, toda a sua vida deve refletir a glória de Deus.

 

CALVINISMO E POLÍTICA

 

Estudiosos de diferentes matizes têm reconhecido a decidida contribuição prestada pelo movimento calvinista ao aperfeiçoamento das instituições políticas do mundo ocidental. As noções reformadas sobre a ordem política foram inicialmente articuladas por João Calvino e posteriormente aprofundadas em alguns pontos e modificadas em outros pontos pelos seus sucessores. Calvino expôs as suas idéias sobre os oitenta capítulos de sua magna obra, a Instituição da Religião Cristã. Por causa de sua reflexão firmemente apoiada nas Escrituras, o reformador tinha um elevado conceito acerca do Estado e dos governantes civis. Como a maior parte dos protestantes do século XVI, Calvino divergiu de Lutero quanto à relação estreita entre a Igreja e o Estado. Segundo Calvino, cada qual respeitando a esfera de atuação do outro. Calvino, seguindo a mesma linha de raciocínio, acentuou que a carreira pública era uma das mais nobres funções a que um cristão podia aspirar e deixou claro que o cidadão tinha o dever de estabelecer as leis e honrar os seus magistrados. Os governantes por sua vez, tinham solenes e graves responsabilidades diante de Deus em relação às pessoas entregues aos seus cuidados.

 

 

 

 

CALVINISMO E CAPITALISMO

 

A questão de como se relacionam o calvinismo e o capitalismo tem sido objeto de enorme controvérsia, estando longe de produzir um consenso entre os estudiosos. O tema popularizou-se a partir do estudo do sociólogo alemão Max Weber (1864-1920) Intitulado A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, publicado em 1904-1905.  Numa tese oposta à de Karl Marx, e Max Weber concluiu que a religião exerce uma profunda influência sobre  VIDA econômica. Mais especificamente, Weber afirmou que a teologia e a ética do Calvinismo foram fatores essenciais no desenvolvimento do capitalismo do norte da europa  e dos Estados Unidos. Weber partiu da constatação de que em certos países da europa um número desproporcional de protestantes estavam envolvidos com ocupações ligadas ao capital, à industria e ao comércio. Além disso, algumas regiões de fé calvinista estavam entre aquelas onde mais floresceu o capitalismo.

 

O PENSAMENTO ECONÔMICO E SOCIAL DE CALVINO

 

Todo o mundo conhece a imensa importância que o Slogan “a cada um segundo as suas necessidades, de cada um segundo as suas capacidades” tem para o comunismo. Lenine líder soviético, entendeu que o alvo final do comunismo será atingido quando esse slogan puder ser realizado. Lenine pensa que esse slogan vem de Marx; e Marx efetivamente o utilizou. Mas nem Lenine e nem Marx se deram conta de que, nos comentários de Calvino (2 Coríntios 8: 13-14), esse mesmo pensamento fora formulado  trezentos anos antes. Calvino diz:” Deus deseja que haja tal analogia e igualdade entre nós que cada um socorra os pobres segundo as suas possibilidades a fim de que alguns não tenham em excesso enquanto outros sofram penúria”. No humanismo social de Calvino, o seu ensino está fundado sobre o humanismo de Deus, pressupõe uma sociedade onde o homem age na qualidade de responsável perante Deus e responsável por seus irmãos.

 

O CALVINISMO E A ELEIÇÃO INCONDICIONAL

 

No Calvinismo este é o ensino sobre salvação do homem pecador. A escolha divina de certos indivíduos para a salvação, antes da fundação do mundo, repousou tão somente na Sua soberana vontade. A escolha de determinados pecadores feita por Deus não foi baseada em qualquer resposta ou obediência prevista da parte destes, tal como  fé ou arrependimento. Pelo contrário, é Deus quem dá a fé e  o arrependimento a cada pessoa a quem Ele escolheu. Esses atos são resultado e não a causa da escolha divina. A eleição, portanto, não foi determinada nem condicionada por qualquer qualidade ou ato previsto no homem. Aqueles a quem Deus soberanamente elegeu, Ele os traz, através do poder do Espírito, a uma voluntária aceitação de Cristo. Desta forma, a causa última da salvação não é a escolha que o pecador faz de Cristo, mas a escolha que Deus faz do pecador. (João 15,16).

 

 

 

Curitiba-PR, 08 de Agosto de 2015.

 

 

Rev. Mario Ramos

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