BRASIL! MOSTRA A TUA CARA…!

BRASIL! MOSTRA A TUA CARA…!

Curitiba-PR, 30 de Junho de 2013.

Entretanto, certo homem, chamado Ananias, com sua mulher Safira, vendeu uma propriedade, mas de acordo com sua mulher, reteve parte do preço, e, levando o restante, depositou-o aos pés dos apóstolos. Então disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo? Conservando-o, porventura, não seria teu? E, vendido, não estaria em teu poder? Como, pois assentasse no coração este desígnio? Não mentiste aos homens, mas a Deus. (Atos 5: 1-4). O grifo é nosso.

Cazuza, um dos maiores poeta do Rock nacional, e pelo viés do seu talento rebelde e lírico, e, eu acrescento ainda, um cidadão inconformado, quanto à vida política, econômica e social dos brasileiros, compôs e cantou: “Brasil! mostra a tua cara quero ver quem paga pra gente ficar assim, Brasil!” Cazuza, chama a atenção dos brasileiros para a realidade do Brasil. Cazuza não mais vive entre nós, porém, o seu vaticínio que se cumpre nas ruas e na agenda do Itamaraty, o faz presente. Cazuza não viu, mas se cumpriu. A “cara” do Brasil, não é o futebol, o carnaval, as mulatas e bambas e sim, o seu povo consciente de seus Direitos e Deveres de cidadãos e cidadãs. O espelho pelo qual o Brasil se enxerga é a rua. São nas ruas, nas praças e nos pátios que se verificam a verdadeira identidade do Brasil – o movimento estudantil – “as caras pintadas”. Esta é a real imagem da aquarela brasileira. É o Estado, a Nação e o povo se fundindo num só.  É a “cara” do Leviatã de T. Robbes, Séc. XVI, passando por uma cirurgia plástica e mais domesticada. É uma síntese de sociedade. É a concretização mútua “dos fins objetivos (Estado) e dos fins subjetivos (fins individuais). Assim almejou Caetano Veloso: “E eu não tenho Pátria; eu tenho mádria; eu quero frátria”. O dia 13 de Junho de 2013, já é histórico no calendário Pátrio, o “Dia da Inconformação”. Passados 20 anos em que o movimento estudantil – “as caras pintadas”, destronaram o ex-presidente Collor de Melo – o impeachment, voltaram de uma vez por toda, com atitude cívica, ordeira e apolítica, quando o mundo inteiro olha para o Brasil – Copa das Confederações – para que o Brasil, fosse visto em sua plenitude, por dentro e por fora, sem a maquiagem. -“O que é, exatamente por ser tal como é, não vai ficar tal como está” (Brecht). Os efeitos dos maiores protestos de rua da história do país, que começaram com a redução em massa das tarifas de transporte, tomaram de assalto o Congresso. Com votações em série e em madrugada adentro, Câmara e Senado desengavetaram projetos diretamente relacionados com as demandas dos manifestantes e que tramitavam há anos.  A PEC/37 foi derrubada. As tarifas de transporte foram reduzidas. Foi aprovado como crime hediondo, o crime de corrupção com a elevação da pena. A pauta está longe de esvaziar-se. Hedionda é a descompostura das excelências que agora correm para tentar zerar o passivo acumulado durante décadas. É preciso manter-nos prontos, disponíveis e dispostos ao clamor das ruas. Repudia-se, entretanto, os excessos, em dissonância com as reivindicações e na contramão dos objetivos colimados. É tempo de arrojo nacionalista, bem ao tom da Canção do Soldado: “Nós somos da Pátria amada fiéis soldados por ela amados…em nosso valor se encerra toda a esperança que o povo alcança…amor febril pelo Brasil no coração nosso que passe…”. O Brasil dos brasileiros tem cara sim, senhor! Quer moralização nos serviços públicos: na educação, na saúde, na segurança, na habitação, na transparência das verbas públicas e sua destinação, quer ética permeando as Instituições sejam elas públicas ou privadas, quer combate e intolerância zero com os corruptos e corruptores, quer atuação isenta do Estado nos desmandos de líderes religiosos de todos os seguimentos, para que, assaltos, saques e desvios dos dízimos e ofertas dos fiéis, como os de R$ 30 milhões por exemplo, não tenha a conotação de “traição por 30 moedas”, quer ser ouvida em plebiscito e referendum, quer celeridade em anos de pasmaceira de processos emperrados. E para o nosso próprio espanto e indignação, notemos alguns números em torno destes “seres”, pelo fato, deste caótico “modu operandi” governamental. O Brasil tem um Produto Interno Bruto estimado em R$ 4.14 trilhões. Sabe-se que a corrupção é estimada em até 2,4% do PIB. Portanto, uns R$ 100 bilhões. Estimativas mais modestas apontam para R$ 70 bilhões/ano. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) relata que 2.918 ações e procedimentos relativos à corrupção, lavagem de dinheiro e improbidade administrativa prescreveram por falta de julgamento em 2012. Ou seja, em quase 3 mil casos os responsáveis escaparam por falta de julgamento. Por outro lado, em 1.637 ações na justiça, 205 terminaram em condenação. Ainda a justiça e a corrupção: Tornaram-se em ações 1.763 denúncias contra acusados de corrupção e lavagem de dinheiro e 3.742 procedimentos judiciais relacionados à prática de improbidade administrativa. No final do ano tramitavam 25.799 ações sobre corrupção, lavagem de dinheiro e improbidade administrativa. Os réus nessas ações são centenas de milhares de brasileiros. Se não prescrever, deverão ser julgados. Veja ainda este histórico pretérito de corrupção: Nos idos do governo Collor, estimava-se que as operações comandadas por Paulo Cesar Farias, subtraíram mais ou menos R$ 1 bilhão. No rastro, a Polícia Federal, indiciou mais de 400 empresas e 110 grandes empresários. Só um grande personagem foi condenado. Qual? O finado Paulo Cesar Farias. Tudo mais prescreveu. Ou seja, o dinheiro do povo foi levado. De volta à justiça, o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), rastreou e mostrou: entre os anos 2000 a 2010, as movimentações financeiras atípicas nos tribunais somaram R$ 855 milhões. Por esses e outros tantos motivos, estava certo o Cazuza, em nos advertir a que mostremos a Cara, a cara da nação. A cara do povo brasileiro esculpida de dignidade, de luta e de esperança. O Brasil que está sendo refeito será a cara dos brasileiros?

Afinal, o Brasil, que CARA terá? Que seja a minha e a sua!

Brasil é o homem que tem sede ou que vive na seca do sertão?

Ou será que o Brasil dos dois é o mesmo que vai, é o mesmo que vem na contramão?

Brasil é o que tem talher de prata ou aquele que só come com a mão?

Ou será que o Brasil é o que não come; Brasil gordo na contradição?

Brasil que bate tambor de lata ou aquele  que bate carteira na estação?

Brasil é o lixo que consome ou que tem nele o maná da criação?

Brasil é uma foto do Betinho, ou um vídeo da Favela do Complexo da Maré?

Brasil dos trens da alegria de Brasília ou os trens do subúrbio da Central do Brasil?

Qual a Cara da cara da nação?

REV. MARIO RAMOS